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7o Festival de Inverno de Petrópolis

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"As Damas Trocadas"

13/07 (Domingo) - 18h
Palácio de cristal

Direção Artística
André Heller-Lopes

Direção Musical
Guilherme Bernstein

Elenco
Conde Fricandó
Marcio Marangon (Barítono)

Condessa Ernesta
Priscila Duarte (Soprano)

Carlotta
Lívia Dias (Soprano)

Lucindo
Giovanni Tristacci (Tenor)

Peregrino
Jorge Mathias (Baixo)

Braz
Murilo Neves (Baixo)

Apresentadora, dubladora, criada e Pipo
Stela Maria Rodrigues (Atriz)

Figurinos
Marcelo Marques

Assistentes de Direção
Juliana Santos
Menelick

Músicos
Primeiros Violinos
Rafael Ferreira
Leonardo Fantini
Inah Pena
Kaio Moraes

Segundos Violinos
Fernando Matta
Fernanda Palomeque
Luiz Felipe Ferreira
Alexei Henriques
Violas
Ivan Zandonade
Claudia Rosa
Priscila Honório

Violoncelo
Jorge Armando
Marzia Miglieta

Clarinetes
Vicente Alexim
Diogo Lozza

Flautas
Paula Martins
Igor Levy
Fagote
Luciano Azevedo

Oboés
Josué Campos
Lília Rangel

Trompas
Livia Rangel
Daniel

Contrabaixo
Ricardo Bessa

O Enredo

A trama gira em torno da incompatibilidade conjugal do Conde Fricandó com a Condessa Ernesta e do sapateiro Brás com sua esposa Carlota. Tanto a Condessa como Brás possuem péssimo gênio e maltratam seus cônjuges com agressões verbais e físicas. Um peregrino dotado de poderes, testemunhando o mau comportamento dos dois, resolve fazer as duas mulheres que trocarem de corpo sem que seus maridos se dêem conta. Fricandó e seus serviçais ficam encantados com a inesperada transformação de Ernesta enquanto que Brás passa a se irritar com as birras de Carlota, colocando-a para fazer serviços pesados. Esta foge para o palácio com o sapateiro nos seus calcanhares. No meio da balburdia criada pela inusitada situação, surge o peregrino que, após esclarecer o ocorrido, realiza a nova troca entre as esposas. As lições aprendidas principalmente pelos dois encrenqueiros fazem com que todos se confraternizem em um final cheio de alegria e otimismo.

A Obra

Marcos Portugal, durante os anos em que permaneceu na Itália, foi um produtivo compositor de óperas, tendo, durante este período, se acostumado ao sucesso, embora por vezes, tivesse tido alguns dissabores como o ocorrido com a sua farsa "L'Avventuriere", mal recebida pelo público e que não voltou a ser encenada posteriormente. Dezoito meses depois do fracasso escreveu "La donna de gênio volubili", a partir de um libreto de Giuseppe Bertati. Esta ópera, que trata de uma espécie de D. Juan feminina, talvez tenha sido a sua obra de maior sucesso, tendo sido encenada nas grandes capitais européias por muitos anos. No Outono de 1797, o compositor encontrava-se em Veneza, no Teatro de San Moisé quando recebeu a incumbência de musicar um libreto de Giuseppe Forpa intitulado "Le donne cambiate". Este texto, baseado em uma versão reduzida da "ballad opera" inglesa intitulada "The devil to pay or The wives metamorphosed" , de autoria de Charles Coffey, já havia sido adaptado para a ópera cômica com música de Gluck. Entretanto, na versão de Forppa, o enredo, bem como o número de personagens, é reduzido ao mínimo indispensável em função dos parcos recursos financeiros do Teatro San Moisé. Após obter enorme sucesso na estréia, a ópera foi representada em diversos teatros da Europa, sempre obtendo excelente aceitação popular.
Esta obra recebeu duas versões para o português. No catálogo que o próprio Marcos Portugal fez de suas composições, é feita referência a uma dessas adaptações, que recebeu o título de "O Sapateiro", e não sobreviveu até os dias atuais. A montagem da partitura completa de "As Damas trocadas", exigiu a comparação de uma versão encontrada no Paço Ducal de Vila Viçosa, destinada a um teatro popular de Lisbôa com a original, do Teatro de São Carlos, tendo se constatado a substituição de um dueto entre o Conde e a Condessa, provavelmente para se adequar à voz dos solistas na ocasião. A descoberta de folhas soltas do manuscrito de uma transposição da ária da Condessa, feita por um copista carioca, levam a crer na hipótese de que esta obra tenha sido produzida no Rio de Janeiro no Teatro dirigido por Manuel Luiz Ferreira, que, posteriormente, se tornou o Teatro São João.

O Compositor

Marcos Portugal

Nascido em Lisboa a 24 de Março de 1792, Marcos Portugal é, provavelmente o compositor luso que mais prestígio alcançou em vida, não só em seu país, mas também nos grandes centros culturais europeus. Iniciou seus estudos musicais aos 9 anos de idade e, aos 21 anos foi admitido como organista da Sé Patriarcal de Lisboa. Em 1782, com a encomenda de obras para as festividades das Capelas Reais, iniciou-se entre ele e a Família Real Portuguesa um relacionamento que perduraria quase até o final de sua vida. Durante os 10 anos que se seguiram, além da produção religiosa, foi também designado como Mestre de Música do Teatro do Salitre, tendo escrito então várias óperas em português a partir de textos traduzidos do italiano, bem como modinhas e elogios para festejar os aniversários da Família Real.
Em Setembro de 1792 partiu para a Itália, onde iniciou uma vitoriosa carreira de compositor de operas que lhe valeu fama internacional. De volta a Portugal em 1800, foi nomeado mestre do Seminário Patriarcal e maestro do Real Teatro de São Carlos, função na qual permaneceu por sete anos. Após a invasão francesa, ocorrida em 1807, Marcos Portugal permaneceu em Lisboa.
Como desfrutava de grande prestigio como operista em Paris, Junot, comandante das tropas invasoras, lhe encomendou uma ópera para a celebração do aniversário de Napoleão Bonaparte. No dia 15 de Agosto de 1808 foi executada, em homenagem ao Imperador, a ópera Demofoonte, escrita em 1794 para o Teatro Scala de Milão e que foi revisada e adaptada pelo compositor.
Convocado que foi pelo exilado D. João VI, chegou ao Rio de Janeiro a 18 de Junho de 1811 para assumir as funções de chefe da Real Capela de Música, anteriormente ocupada pelo Padre José Maurício Nunes Garcia, e, posteriormente, de diretor do Teatro São João, (atualmente João Caetano) onde eram realizados os espetáculos de ópera para a Família Real.
Após o retorno de D. João VI para Portugal, permaneceu ligado a Corte como professor de D. Pedro I , tendo sido nomeado em 1824 Mestre de Música das Princesas. Faleceu a 17 de Fevereiro de 1830, aparentemente sem deixar descendentes, embora tenha permanecido casado com Maria Joana por 35 anos.
Por toda a sua obra e pelo notório prestígio que alcançou durante a vida, estranha-se o fato de Marcos Portugal só ser conhecido do público no Brasil pelo seu histórico entrevero com o Padre José Maurício. Seu estilo composicional, ágil e fluente, demonstra o alto grau de excelência técnica que possuía, justificando toda a fama adquirida nos grandes centros europeus na transição entre os séculos XVIII e XIX.



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